É certo que os amores não se repetem. As músicas são esquecidas, assim como eu. Muito muitos e pouca cortesia. A companhia transforma-se em dois corpos munidos de desejo e solidão. Brisa jogada ao ar, flutuante na íntima confusão do querer e não mais resistir. Paixão desperdiçada e logo enfraquecida. Fogo que corrói a alma e também destrói o amor, se é isso amor. Eu não sei, nunca soube e tão pouco me importa descobrir a não-história de nós dois. O trágico conto sem final feliz. Reticências de dores, nossa relação. Apego transformado em vertigem. Lamúria visceral. Restos de palavras e sorrisos cautelosos e indecisão no gostar. Um itinerário ao esquecimento. Esfinge renascida com o meu temor que ultrapassa esse ressaibo jamais mensurável. Esse pesar de aflição que me carrega, me mantém mendiga dos laços já transformados em esperanças indesejáveis. Deslizes sórdidos e mentiras confortantes. Céu azul e corpo escuro que me tolhi. Perversos sentimentos inatingíveis: Deusa, fada e um relicário de mim mesma. O seu único problema foi pensar demais. Relute ou remediada eu seguirei. Segui.
terça-feira, julho 21
quinta-feira, julho 2
Feita de avenca.!
Eu queria lhes dizer coisas assim claras, emoções fáceis e sentimentos profundos. Mas isso nunca me ocorreu. Acho horrível ser tão flexível consigo mesma, e que isso importa quando a felicidade já nem mais é um ideal? : eu vivo sabe, apesar de que não pareça, mas é um viver muito particular, é gostar do contrário e aplaudir a imperfeição. É o tipo certo de pessoa que não nasceu pra templo de brilhantes e se contenta com a irremediável sina, triste não, hermética apenas. Mas o que eu poderia falar e o que as pessoas necessitam encontrar e o que o destino nunca me reservou, é que a gente sempre aguarda em pernas bambas e coração manso o encontro que nos faz desencontrar do real, porque amor é só isso. Um infinito de combinações astrais e devaneios seriamente lunáticos que não os levam a nada, ou um nada presente transformador da rotina tediosa e lástima de sempre. Obsessão com a tragédia me resume, mas o amor deve ser sim um pouquinho de encanto, pena que magia nunca me fascinou e convivo, sem danos e mágoas, satisfeita com a minha eterna inglória e embaraçada com tamanha visão ornamental.
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