quarta-feira, junho 30

Pausa pra felicidade.!

Sabe quando metade dos seus sonhos se realizam e está dando tudo tão certo, tão feliz e tão colorido ? É, minha vida agora se confunde com um arco-íris e os meus olhos refletem essa doce magia. Axé.

segunda-feira, abril 26

Eu e a tristérrima.!

Poupem-me o espanto, mas eu quero mesmo é que o mundo acabe, as pessoas morram com os seus venenos e o meu corpo apodreça com a minha eterna inglória. Questão de tempo essas ocorrências, mas a minha destruição é exata. Basta juntar todas as dores dos miseráveis, somar com as incertezas dos lunáticos e igualar a falta de perspectiva dos deprimidos, eis que surge a minha imagem, mera ponderação do que me mantém presente de corpo e ausente de espírito. Acho que à anos a tristeza bateu em minha porta, eu na ânsia de ter alguém a minha procura, necessitando dos meus diálogos cansativos, abri e a convidei para ser minha companheira nos momentos de solidão, que quase passam, mas eu não devo e nem posso deixar passar, preciso da garantia de qualquer coisa que seja pra sempre. E a minha tristeza é.
Tê-la comigo, no lado esquerdo do peito, é quase que conviver com humanos, ela tem fome, se embriaga e faz birra por acaso, e esse acaso é o que me destrói. Eu nunca estou preparada para diminuí-la, para tecer um moinho que saiba controlar o incontrolável, aí ela invade as minhas partes mais ocultas, que nem eu mesma sabia da existência, mas a tristeza sempre sabe dos nossos pontos fracos e só me resta a aceitação. Não venha me dizer de lutas, vitórias e esperança. O meu vício são as lágrimas, que refletem a permanência, a insistência, a veracidade dessa força enorme que me consome. Nem o medo pode mais contra ela. Nem eu mesma posso mais contra ela.
E eu digo sim, e nos tornamos uma só, até ciúmes eu passei a ter. Uma possessividade que tenho medo de afastá-la, uma assombração que pode ser mais tenebrosa que a tristeza em si. Mas entendam, anos de convivência, de desabafos e tentativas articuladas de partir só poderiam criar um laço quase que sanguíneo. Eu grito. Deixem-me com a tristeza, ela é minha protetora, meu simulacro de felicidade, minha fonte de terror, minha guia. Minha. Minha. Minha.
Mas de meses pra cá eu tenho ficado tão triste, tão suicida, tão oblíqua, que nem mesmo a própria tristeza suportou. Ela ficou de mal comigo, arrumou sua mala com tudo que tinha direito e levou de mim aquelas cargas que tinha colecionado durante anos- noites de insônia, choro repentino, náuseas obrigatórias e feridas incuráveis- bateu a porta do meu coração que ela enfeitara com tanto zelo, deu-me as costas e sumiu dizendo que seria pra sempre. Que é muita tristeza pra tristeza aguentar.
Aí o vazio ficou mais fundo ainda, dá até pra ouvir o eco dos meus gritos, o lamento da minha perda e as reticências das minhas indagações.
- Eiiiiiii, tem alguém aí ou eu estou sozinha de novo?
(silêncio)
-Eu tenho tanto medo do escuro, tanto medo desse ouvir a mim mesma, sempre, todo dia, até quando?
(silêncio)
Eu gritei tanto que desisti e pela primeira vez adormeci em universos paralelos, mas era tão real, tão medonho, tão absoluto. Eterno. E no sonho a minha última indagação era de qual sentimento viria depois pra suprir a ausência da tristeza, e o medo estremeceu os meus pêlos negros, era tenebroso pensar em algo pior que essa fiel companheira. As minhas pupilas nunca mais se dilataram e até hoje eu sinto o luto indubitável daquele imediato Adeus. Nós partimos.

terça-feira, março 9

Foi assim.!

E ele era tão especial pra mim e eu era tão qualquer coisa pra ele. Isso era tudo, até que ele foi se perdendo, se escondendo, sumindo de mim. Acaba.Eu me acabo. Ser qualquer coisa sempre acaba a partir do momento que a gente reconhece o que realmente somos.

quinta-feira, março 4

Amor, pra que te quero.!

E quando o amor nasceu em mim, eu já estava tão amarga louca suicida pra não ter nem sequer coragem de acreditar nessa porra toda de vida a dois. E quando o amor brilhou para mim, meus olhos se cegaram a ponto de fechar o meu coração, proteger-se do descuido de entregar-me ao acaso do teu destino. E quando o amor insistia em provar a existência de sei lá o que, eu virei as costas e persegui minha eterna e terna obsessão pela loucura, sem nem imaginar que o amor se revela nas coisas mais loucas. E quando tudo que me fazia existir e resistir foi se transformando em minúcias de amor, eu senti o gosto ou o veneno dessa agonia que é viver, aí eu renasci em meio o salgado das minhas lágrimas e limpei aquilo que um dia me doía e doía e sangrava tanto em mim. E quando fui entender que amar e perdoar se completam, a minha face brilhou de satisfação e as minhas pupilas se dilatavam tanto que parecia haver uma explosão de euforia, era sua visão sendo um horizonte em meu caminho, tudo se alargava e em tudo eu me perdia, era um tudo de você. E eu me doei para ti, me entreguei nessa imensidão de outrem que a gente até se perde. Eu e ele sendo um só. Mas aí veio as tempestades, os naufrágios, as dores, a culpa, medo e solidão; nada de calmaria, a coisa se desfalecendo. E todo esse amor que eu tenho agora pulsante em minhas veias, a gente esquece, é isso? É isso.

segunda-feira, agosto 31

Vestido azul e entranhas navegantes.!

E sim, passou pela minha cabeça essas questões de saudade e de ir e de talvez lá me instalar. E sim, eu quis me despedir, dizer logo que o amo e falar que hoje eu não estaria para ceia e nem amanhã para o meu cereal de frutas de todos os dias e que mesmo assim não sentisse minha falta e nem tivesse esperança de um possível retorno. Porque quando eu parto, não é para Milão e nem a Ilha de Rondim, um sonho é Inglaterra, mas eu achava bem mais econômico e vantajoso viajar para dentro de mim. Lá eu era capaz de conhecer todos os lugares do mundo, sem dar um passo para além dos abismos intermináveis da minha existência e sem o constrangimento por não saber nenhuma outra língua, além da minha querida. E mais, pra onde eu iria, era o exato lugar para pessoas assim, ora dolorosas, ora efusivas. Um estrago para o mundo, ou um mundo que estraga pessoas assim. E sim, eu não me despedi de ninguém, vão me achar dura, fria e mal dizer do meu egocentrismo. E sim, é isso tudo que me permeia. Uso um vestido azul. Da menina no país das maravilhas. E sim, é um fascínio descobrir como um corpo pode suportar tantas dores-cotidianas-sofrimentos-indubitáveis-fúrias-interiorizadas e mesmo assim ser terno e lindo por dentro. Dizendo sim para si mesmo, acreditando no mistério das navegações intra-pessoais e descobrindo o mais profundo dos oceanos e um fluir de perfeição. E sim.

terça-feira, agosto 11

Leva-me, Laika!.

'Só quero ir indo junto com as coisas, ir sendo junto com elas, ao mesmo tempo, até um lugar que não sei onde fica, e que você até pode chamar de morte, mas eu chamo apenas de porto'.
Abreu,Caio Fernando
-
Para ele que é o nada e o tudo de mim: salva-me dessa indisgestão social. Hipocrisia terrena, no terreno que eu sobrevivo nem sei mais por que pra que com que. Onde eu piso,é areia movediça e mesmo nessa aflição de sentir apenas serafins arfantes ou inalar essa terra vermelha tenebrosa, eu suplico, derreto, indago - Por que me abandonastes, Caio ? - você que mesmo nem sabendo e nem compadecendo e nem morrendo ciente da minha existência, desse meu reles sobreviver, fez-me sucumbir ao abismo que é esse acordar do plexo solar: ser vago, ser pernas, ser mãos, ser espírito, ser nada. Outra Florbela em pessoa. Rosas, lírios ou desperdício de vida que não se vive. A trombeta de um anjo que sussura, um cântico à minha podridão, ao nosso lixo - a luz que acalenta seu coração, traz paz aos seus tormentos, segue o brilho, essa estrada feita de arco-íris e algodão doce feroz- Estampo nesse meu espanto facial, riso fácil. A conivência desse pecado de partir, de se partir e partir. É quase doce, meu bem. Procurei a vida eterna nos teus braços que apenas me acorrentaram, jorrei sangue pelas dores do mundo ou qualquer outro ferir que me tocasse. Eu sou toda hemorragia e pedaço que se despedaça ao compreender que o futuro é agora, e já não tenho mais solução. Eu me alimento da minha própria carne, crua e selvagem, partilhando as minhas pernas, mãos, espírito, um nada:dolorido, com quem dessa fome necessitar. Uma antropofagia que só busca a salvação, pois esperanças ainda tenho, não de mim e nem de você, talvez de nada, tudo. Mas uma espera divina que algo recompense a minha dor vivida, somente esse terror por existir. Senão for esse o caso, eu imploro: Leva-me, Caio, eu sei que você sabe que pode vir a ser um meu e teu desespero compartilhado, nossa morbidez necessária, querido.

terça-feira, julho 21

O irremediável fim sem começo.!

É certo que os amores não se repetem. As músicas são esquecidas, assim como eu. Muito muitos e pouca cortesia. A companhia transforma-se em dois corpos munidos de desejo e solidão. Brisa jogada ao ar, flutuante na íntima confusão do querer e não mais resistir. Paixão desperdiçada e logo enfraquecida. Fogo que corrói a alma e também destrói o amor, se é isso amor. Eu não sei, nunca soube e tão pouco me importa descobrir a não-história de nós dois. O trágico conto sem final feliz. Reticências de dores, nossa relação. Apego transformado em vertigem. Lamúria visceral. Restos de palavras e sorrisos cautelosos e indecisão no gostar. Um itinerário ao esquecimento. Esfinge renascida com o meu temor que ultrapassa esse ressaibo jamais mensurável. Esse pesar de aflição que me carrega, me mantém mendiga dos laços já transformados em esperanças indesejáveis. Deslizes sórdidos e mentiras confortantes. Céu azul e corpo escuro que me tolhi. Perversos sentimentos inatingíveis: Deusa, fada e um relicário de mim mesma. O seu único problema foi pensar demais. Relute ou remediada eu seguirei. Segui.