E quando o amor nasceu em mim, eu já estava tão amarga louca suicida pra não ter nem sequer coragem de acreditar nessa porra toda de vida a dois. E quando o amor brilhou para mim, meus olhos se cegaram a ponto de fechar o meu coração, proteger-se do descuido de entregar-me ao acaso do teu destino. E quando o amor insistia em provar a existência de sei lá o que, eu virei as costas e persegui minha eterna e terna obsessão pela loucura, sem nem imaginar que o amor se revela nas coisas mais loucas. E quando tudo que me fazia existir e resistir foi se transformando em minúcias de amor, eu senti o gosto ou o veneno dessa agonia que é viver, aí eu renasci em meio o salgado das minhas lágrimas e limpei aquilo que um dia me doía e doía e sangrava tanto em mim. E quando fui entender que amar e perdoar se completam, a minha face brilhou de satisfação e as minhas pupilas se dilatavam tanto que parecia haver uma explosão de euforia, era sua visão sendo um horizonte em meu caminho, tudo se alargava e em tudo eu me perdia, era um tudo de você. E eu me doei para ti, me entreguei nessa imensidão de outrem que a gente até se perde. Eu e ele sendo um só. Mas aí veio as tempestades, os naufrágios, as dores, a culpa, medo e solidão; nada de calmaria, a coisa se desfalecendo. E todo esse amor que eu tenho agora pulsante em minhas veias, a gente esquece, é isso? É isso.
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