segunda-feira, abril 26

Eu e a tristérrima.!

Poupem-me o espanto, mas eu quero mesmo é que o mundo acabe, as pessoas morram com os seus venenos e o meu corpo apodreça com a minha eterna inglória. Questão de tempo essas ocorrências, mas a minha destruição é exata. Basta juntar todas as dores dos miseráveis, somar com as incertezas dos lunáticos e igualar a falta de perspectiva dos deprimidos, eis que surge a minha imagem, mera ponderação do que me mantém presente de corpo e ausente de espírito. Acho que à anos a tristeza bateu em minha porta, eu na ânsia de ter alguém a minha procura, necessitando dos meus diálogos cansativos, abri e a convidei para ser minha companheira nos momentos de solidão, que quase passam, mas eu não devo e nem posso deixar passar, preciso da garantia de qualquer coisa que seja pra sempre. E a minha tristeza é.
Tê-la comigo, no lado esquerdo do peito, é quase que conviver com humanos, ela tem fome, se embriaga e faz birra por acaso, e esse acaso é o que me destrói. Eu nunca estou preparada para diminuí-la, para tecer um moinho que saiba controlar o incontrolável, aí ela invade as minhas partes mais ocultas, que nem eu mesma sabia da existência, mas a tristeza sempre sabe dos nossos pontos fracos e só me resta a aceitação. Não venha me dizer de lutas, vitórias e esperança. O meu vício são as lágrimas, que refletem a permanência, a insistência, a veracidade dessa força enorme que me consome. Nem o medo pode mais contra ela. Nem eu mesma posso mais contra ela.
E eu digo sim, e nos tornamos uma só, até ciúmes eu passei a ter. Uma possessividade que tenho medo de afastá-la, uma assombração que pode ser mais tenebrosa que a tristeza em si. Mas entendam, anos de convivência, de desabafos e tentativas articuladas de partir só poderiam criar um laço quase que sanguíneo. Eu grito. Deixem-me com a tristeza, ela é minha protetora, meu simulacro de felicidade, minha fonte de terror, minha guia. Minha. Minha. Minha.
Mas de meses pra cá eu tenho ficado tão triste, tão suicida, tão oblíqua, que nem mesmo a própria tristeza suportou. Ela ficou de mal comigo, arrumou sua mala com tudo que tinha direito e levou de mim aquelas cargas que tinha colecionado durante anos- noites de insônia, choro repentino, náuseas obrigatórias e feridas incuráveis- bateu a porta do meu coração que ela enfeitara com tanto zelo, deu-me as costas e sumiu dizendo que seria pra sempre. Que é muita tristeza pra tristeza aguentar.
Aí o vazio ficou mais fundo ainda, dá até pra ouvir o eco dos meus gritos, o lamento da minha perda e as reticências das minhas indagações.
- Eiiiiiii, tem alguém aí ou eu estou sozinha de novo?
(silêncio)
-Eu tenho tanto medo do escuro, tanto medo desse ouvir a mim mesma, sempre, todo dia, até quando?
(silêncio)
Eu gritei tanto que desisti e pela primeira vez adormeci em universos paralelos, mas era tão real, tão medonho, tão absoluto. Eterno. E no sonho a minha última indagação era de qual sentimento viria depois pra suprir a ausência da tristeza, e o medo estremeceu os meus pêlos negros, era tenebroso pensar em algo pior que essa fiel companheira. As minhas pupilas nunca mais se dilataram e até hoje eu sinto o luto indubitável daquele imediato Adeus. Nós partimos.

2 comentários:

Anônimo disse...

O meu presente tbm prima!!! =/

Unknown disse...

Depois que sai do ensino médio .. até as coisas deprimentes, principalmente elas , me inspiram .
A tristeza ainda tem sido minha companheira .. mais ainda nas horas de solidão , onde mesmo acompanhada , me sinto só .
Dandann aviso-lhe que ainda visito aqui .. apesar de ter quase feito teia de aranha na sua página do blog em meu computador ,
volto aqui sempre que posso e leio tudo com uma saudade enorme batendo em meu peito ..
aquele tum tum maldoso que insiste em doer . saudade enorme de ti ! aviso que não lhe abandonei :D