sábado, fevereiro 28

Carta para um amigo.!

Escrevo - agora triste, absurdamente triste - Pra você. Pra ele. E pra mim. Eu, que antes vivia de uma maneira tão azougada. Calma. Diria até bonita. Hoje estou amarga. Garganta seca. Carência infernal. Subordinada ao seu desprezo. Trucidando um descompasso que descompassa as minhas necessidades. Súplicas extremas. Desculpas irrevogáveis. Queria. Não sei se quero. Mas como aquela tarde das minhas mentiras desesperadas. Duras. Podia ser esse instante das declarações mais singelas e puras e devotas do mundo. Do nosso mundo. Por você. Por ele. Eu alimentava, mastigava, degustava aquelas fantasias de contos ilusórios, devaneios inocentes. Verdade que tudo em ti me era doce. Uma donzela a espera do príncipe. De qualquer príncipe. Sabendo sempre das nossas fraquezas e impossibilidades. Tendo a exata certeza de que suas palavras. Digo, palavrões; alegravam a torcida mais infeliz que já existiu. Um time cá dentro, que sufocava, aterrorizava, fodia a minha sanidade. E só encontrava uma estranha paz - ou agitação crescente, ou paixão fragmentada, ou cor azul-ferrete que me trouxesse vida, ou uma arte milenar - num ritmo barulhento, na euforia dos seus dias que eu tanto precisava ser inquilina, porque de tanto perder-se, não moro mais em canto nenhum. E logo digo -Porra meu amigo querido. Volta à ser. Te quero bem. Um perdão. E axé.
(Em memória do cativo Caio F. Abreu)

4 comentários:

Eu, que não sou Chico disse...

Fico simplesmente sem palavras. Texto maravilhoso. Esse sentimento que transborda, que toma, que desmede, sempre me emociona.
Beijo grande

Aquela Garota ... disse...

seu texto nem pede um comentário meu ...

isso é lindo ...

Bjokas minha nega

Gutinha disse...

Que seja doce!* Sempre.

Unknown disse...

Me encanta! =)